Para pensar:

"Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia."

Mario Quintana

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cães com deficiência física podem ter qualidade de vida

Neste sábado, 21, comemora-se o Dia Nacional de Luta a Pessoa Portadora de Deficiência Física, data bastante lembrada por direitos iguais e também para buscar novos caminhos para a inclusão social, cidadania e participação desta parcela, cada vez maior, da população brasileira.
No mundo dos pets, a deficiência física também é muito comum e cada vez mais os médicos veterinários estão empenhados em melhorar a qualidade de vida dos animais que possuem algum tipo de problema físico. Há também várias pessoas que adotam cães deficientes, pois estes foram rejeitados pelos donos.
“O atendimento em animais com algum tipo de deficiência que foram adotados depois de serem rejeitados pelos seus primeiros donos têm crescido muito nas nossas unidades”, afirma Carla Alice Berl, médica veterinária e diretora do Hospital Veterinário Pet Care, que tem acessibilidade para clientes e animais com necessidades especiais.
As unidades do Pet Care – localizadas nos bairros do Morumbi, Pacaembu e Ibirapuera - possuem fisioterapia, indicada para tratamentos de cães com paralisias devido a trauma na coluna, derrame cerebral, trauma craniano e problemas neurológicos devido a doenças como diabetes, cinomose, hipertensão, entre outras.
Por ter excelência no tratamento das mais diversas deficiências físicas, o Pet Care levantou as principais desenvolvidas em cachorros, a fim de orientar os donos e garantir a saúde dos animais. Confira:

Paralisia dos membros posteriores
Popularmente conhecido como Basset e Salsicha, o Dachshund ou Teckel é uma raça que mais sofre de paralisia aguda dos membros posteriores. Isto ocorre devido a um problema de coluna: a hérnia de disco (geralmente da região toraxico-lombar).
Segundo Dra. Carla, identificar os primeiros sintomas é o primeiro passo para garantir o sucesso do tratamento. “O dono deve prestar atenção no seu animal e a partir do momento que detectar alguns sinais de que ele não está bem”, diz. “Os sintomas variam de permanecer arqueado, recusar-se a andar ou andar com dificuldade, não conseguir se levantar, olhar a escada e não quer subir nem descer, não comer, ofegância - devido à dor - e ficar com uma das patas traseiras levantada a não conseguir urinar (um sinal gravíssimo), entre outros sintomas"
A veterinária também reforça que o animal não deve se locomover e que deve ter uma restrição de espaço, como por exemplo, coloca-lo no box do chuveiro ou em uma gaiola e imediatamente levá-lo ao médico veterinário. “Ao tomarmos estes cuidados muitos animais podem ter uma evolução melhor. Às vezes, por um pequeno descuido, o animal pode ficar paralítico para sempre”, alerta.
Em relação ao tratamento ideal, varia conforme o exame neurológico e o grau de dor que o animal sente. “No exame avaliamos a sensibilidade dos membros posteriores, se ainda sentem dor profunda ou não. Quando o animal não apresenta mais dor profunda é considerado muito grave e a chance da reversão do quadro é uma cirurgia de emergência num período menor que 24 horas de quando o problema começou”, afirma. “Para o tratamento, o confinamento em gaiola é imprescindível, a medicação indicada é anti-inflamatória e analgésica e, em casos nos quais o animal não está conseguindo urinar, também é recomendado deixá-lo com sonda”, explica.
Este problema ocorre mais comumente em Dachshund entre 6 meses a 8 anos de idade, mas também pode acontecer em Shih-tzu, Poodle, Schnauzer, Lhasa apso e outras raças mas em porcentagens muito menores. “Alguns animais paralisam para sempre, outros se recuperam em diferentes graus; a maioria vai precisar de muita fisioterapia, acupuntura e às vezes irão ter que usar carrinhos”, comenta.

Surdez
Outro tipo de deficiência muito comum entre os cães é a surdez. “Normalmente educamos nossos pets com elogios e repreensão verbal e, como o cão não pode ouvir, temos que usar sinais com as mãos, que podem se tornar o principal meio de comunicação entre o dono e o cão surdo”, orienta Dra. Carla. “Pode ser comum pensar que o cão surdo possa ter alterações de comportamento como insegurança, agressividade ou mesmo ter outras alterações cerebrais, mas com o ensinamento, tais preocupações são totalmente descartadas”.
O processo de ensinar um sim com as mãos é relativamente simples. Primeiro, o dono do animal dá o sinal de mãos e em seguida oferece as guloseimas e petiscos para fazer o reforço positivo. Após várias repetições, o filhote vai aprender a associar o sinal com uma recompensa. Podemos usar lanternas para se comunicar durante a noite, ou ponteiras de laser, pois é muito mais brilhante que a luz normal e pode alcançar até 100 metros a noite. Ao brilhar a ponto de laser na frente do cão, ou em uma parede, atrai a atenção do cão. “Quem aceita cumprir o desafio de criar um animal de estimação surdo precisa de habilidade, paciência e muita imaginação, mas em troca ganhará carinho e uma cauda abanando incansavelmente e um presente de valor inestimável”, incentiva.

Cegueira
As causas para o quadro de cegueira em cães são diversas, podendo ser, inclusive, reversíveis. Entre elas, glaucoma, catarata, uveíte (inflamação intraocular), lesões de córnea, doenças da retina, olho seco, traumas e doenças sistêmicas como diabetes, hipertensão arterial e até mesmo doenças transmitidas por carrapatos podem trazer essa consequência. “Algumas formas têm prevenção ou cura, outras não”, alerta Dra Carla.
Quando constatado o quadro de cegueira irreversível existem alguns cuidados que o dono deve seguir para o bem-estar do animal. Segundo a médica veterinária, é possível que o pet tenha uma vida próxima da normalidade, contanto que mantenha a disposição dos móveis da casa, bem como ração e água, sempre no mesmo lugar. “Desta forma o animal não encontra dificuldades na adaptação à cegueira”, comenta. A profissional reforça ainda que é importante monitorar constantemente piscinas, escadas e lajes e, assim, evitar que o cão sofra algum tipo de acidente. Além disso, há a necessidade de acompanhamento veterinário esporádico, afinal algumas afecções, como as cataratas, podem ser solucionadas cirurgicamente, porém, outras como o glaucoma ou descolamentos de retina, devem ser acompanhadas frequentemente.
Outra informação bastante importante é que muitas alterações oculares são de origem hereditária ou associadas à velhice e nada pode ser feito. “Identificar o problema precocemente aumenta as chances de preservação da visão a médio ou longo prazo. O dono do animal deve ficar atento a sinais como lacrimejamento excessivo, secreção ocular, olho vermelho, coceira, olho fechado ou piscando exageradamente, mudanças no aspecto dos olhos, desorientação ou insegurança e mudanças de comportamento”, afirma.
De acordo com a Dra. Carla, existem atitudes que podem ajudar a evitar a cegueira nos animais, como o bom manejo alimentar e vacinal dos pets, que contribui para a prevenção de alguns tipos de afecções oculares de origem inflamatória, como por exemplo, as associadas à doença do carrapato ou algumas infecciosas, como a cinomose.
Fonte: Hospital Veterinário Pet Care - 24h.

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