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O Ministério da Saúde e as
empresas aéreas fecharam ontem (dia 4), Acordo de Cooperação Técnica com as
cinco maiores empresas aéreas, para efetuar o transporte de órgãos e tecidos,
em todo território nacional. Integram esta parceria a Secretaria de Aviação
Civil, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, a Força Aérea Brasileira, a
Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero, entre outras instituições. A
iniciativa tem objetivo de dar mais agilidade no acesso a informações de
logística aérea, como voos disponíveis e condições meteorológicas, permitindo
tomada rápida de decisão para reduzir, ao máximo, o tempo entre o deslocamento
do órgão após a captação e a realização do transplante no receptor. A
expectativa é aumentar em 10% o número de órgãos sólidos transportados – os que
exigem maior rapidez por conta do tempo de falência. Em 2012, 1.296 órgãos e
tecidos (córneas e ossos) foram transportados. Neste ano, até o momento, o
número mais que dobrou: 3514.
A partir deste acordo,
uma equipe do Sistema Nacional de Transplante (SNT) do Ministério da Saúde
ficará instalada 24 horas por dia e durante todos os dias do ano no Centro de
Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA), localizado ao lado do aeroporto Santos
Dumont (RJ). A equipe dividirá espaço com representantes das empresas aéreas e
dos aeroportos, meteorologistas de plantão e de outras entidades.
Segundo o ministro
Padilha, o acordo formaliza a relação do Sistema Nacional de Transplantes, órgão
do Ministério da Saúde com as companhias aéreas, além de trazer regras claras e
definidas das partes envolvidas. Ele destacou importantes características da
formalização. “A partir deste fim de
semana uma equipe formada por oito enfermeiros passam a trabalhar 24 horas, por
meio de rodízio, no Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA). Essa
equipe acompanhará o fluxo dos voos para tomada de decisões rápidas sobre a
logística dos órgãos que serão transportados”, afirma. O ministro explicou
ainda que com a parceria, as companhias aéreas passam a transportar também os
hemoderivados – produtos extraídos do sangue –
, especialmente nos casos
de catástrofes.
Ao falar da prioridade de
embarque e desembarque dos órgãos nas aeronaves, o ministro Padilha deixou
claro que os passageiros não serão obrigados a ceder seus assentos. “Apenas contamos com o espírito solidário do
povo brasileiro”, completa.
A parceria foi
formalizada na cerimônia de abertura do I Congresso do Sistema Brasileiro de
Transplantes e 1º Fórum Nacional de Biovigilância, que começou ontem e
prossegue até sábado (7), em Brasília. Com esta iniciativa, as aeronaves que
estiverem transportando órgão passam a ter prioridade para pousos e decolagens.
Os operadores aeroportuários deverão garantir prioridade ao condutor do órgão e
aos integrantes das equipes de captação e condução, nos procedimentos de
inspeção de segurança e também no acesso aos portões de embarque e desembarque.
Serão oito enfermeiros
que vão se revezar no monitoramento de informações como voos disponíveis e
conexões, condições meteorológicas e aeroportos em reforma, por exemplo. São
informações que, quando acessadas antecipadamente, permitem criar novas rotas
para que o órgão chegue o mais rápido possível até o receptor, antes de atingir
seu tempo de isquemia.
As empresas aéreas
permanecem realizando gratuitamente o transporte aéreo, dentro do território
nacional, com prioridade no embarque dos órgãos, das equipes de
captação/condução, quando necessário, com autorização do Ministério da Saúde.
Caso todos os assentos estejam ocupados e a urgência do transporte indicar
necessidade, a empresa aérea deverá questionar os passageiros sobre a
possibilidade de desembarque voluntário e embarque no próximo voo.
O presidente da
Associação das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz explicou que as
companhias aéreas que fazem parte deste acordo representam 99% da aviação
comercial brasileira. O Brasil conta com o maior sistema público de
transplantes; por isso a viabilidade de consolidá-lo com a conectividade, que
ocorre pelo transporte aéreo. “Além de
transportar pessoas e cargas, com esta formalização, passamos a garantir que um
conjunto expressivo de pessoas tenham suas vidas salvas. É a aviação prestando
mais um serviço ao país”, disse.
Impacto
Atualmente, em alguns
estados do país, quase 60% dos transplantes realizados necessitam de logística
aérea (comercial ou militar). No Distrito Federal, 61,1% dos transplantes de
coração foram realizados a partir do deslocamento aéreo; no Rio Grande do Sul,
50,7% dos transplantes de rim e 24,3% nos transplantes de pulmão; em
Pernambuco, 41% dos transplantes de fígado e no Pará, 54,3% dos transplantes de
córnea, assim como no Maranhão (89%) e Goiás (36,7%).
Nos últimos doze anos,
houve aumento de 236% na utilização de voos para transporte de órgãos, equipes
e materiais, passando de 67, em 2000, para 5102 neste ano. No ano passado,
foram 2968. O crescimento é resultado do aumento da captação de órgãos e do
número de transplantes, bem como de maior articulação entre a Central Nacional
de Transplantes e as empresas aéreas.
O Brasil levou mais de duas décadas para atingir 9,9 doadores por milhão de pessoas (pmp). Nos últimos três anos, esse número cresceu para 13,5 doadores (projeção para o ano) por milhão da população (1º semestre de 2013). A meta do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) é chegar 15 pmp até o final de 2014. A espera por um órgão caiu 37% em três anos, passando de 59,7 mil para 37,4 mil, em 2013.
O Brasil levou mais de duas décadas para atingir 9,9 doadores por milhão de pessoas (pmp). Nos últimos três anos, esse número cresceu para 13,5 doadores (projeção para o ano) por milhão da população (1º semestre de 2013). A meta do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) é chegar 15 pmp até o final de 2014. A espera por um órgão caiu 37% em três anos, passando de 59,7 mil para 37,4 mil, em 2013.
Órgãos sólidos e tecidos
O Brasil aumentou o
número de transplantes de órgãos sólidos (pulmão, coração, pâncreas, rim e
fígado). No primeiro semestre de 2013, o SNT registrou um total de 3842
cirurgias realizadas (aumento de 3,8% em relação ao mesmo período de 2012
quando foram feitas 3703). Os transplantes de medula óssea também cresceram 13%
na comparação do último ano. Foram 974 no primeiro semestre de 2013 contra 862
(primeiro semestre de 2012). No total, o Brasil realizou 11569 até junho de
2013. E, em termos percentuais, houve
aumento de 113% de transplante de pulmão. O número chegou a 64 no primeiro
semestre de 2013, contra 30 cirurgias realizadas no mesmo período de 2012.
Os estados de Pernambuco,
Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e o Distrito Federal conseguiram acabar
com a espera para a realização de transplante de córnea. Nesses locais, a
capacidade instalada dos serviços especializados e a quantidade de doações são
suficientes para atender a demanda atual. Juntos, os estados e o Distrito
Federal realizaram 3967 cirurgias de córnea no primeiro semestre deste ano, o
equivalente a 58% das cirurgias deste tipo realizadas no país (6781, no total).
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